Quando o Velho do Saco levou o meu primo para longe, porque ele não havia comido o brócolis cozido, a meninada ficou em estado de choque. Contou minha mãe que isso era mais normal do que eu pensava. E que o mesmo velhaco também era quem guiava a kombi que pega criança. Meu primo faltou três dias na escola. Quando voltou, estava calado, melancólico, absorto. E com o olho direito roxo, cheio de marcas nos braços e nas pernas. Foi o Velho do Saco - repetia. Foi o Velho do Saco.
A imponente máquina de Xerox
É incrível como em qualquer grupo sempre tem alguém (ou algo) imponente. Por exemplo: no grupo animal, o elefante é o imponente entre os outros; no grupo de humanos, o homem mais imponente do mundo é o imponente entre os outros; e no grupo da tecnologia não é diferente. Quando foi lançado, o computador era gigantesco. Hoje, é uma máquina que cabe no bolso. O celular, há uns dez anos mal cabia na palma da mão. Hoje cabem cinco. Já a máquina de Xerox, não. Ela continua lá, imponente como sempre. Desde que foi criada, é um trambolhão gigantesco que vive a soltar papéis iguais. É isso aí, máquina de Xerox. Nós te amamos!
Pesque-e-pague
Tem bem ali um pesque-e-pague, bem ali, onde eu pesco e pago. Não só pesco e pago, mas pesco e só depois pago, ali, no caixa do pesque-e-pague, onde limpam, picam e fritam o peixa que eu pesquei e ainda não paguei, e depois, sentado, eu como o peixe frito que pesquei tomando uma gelada que ainda não paguei. Vejam só: tudo isso bem ali, pertinho, no pesque-e-pague! Ô, modernidade...
