O quentinho dos seus dedos

Depois de levar o golpe, assimilado apenas por fora, permaneci em silêncio, imóvel, contemplando nada. Até que o calor foi tomando conta de parte da bochecha e da têmpora. Não havia dor, apenas ardência. Podia ter começado a chorar feito uma criança, mais assustada do que dolorida, mas decidi que não seria a maneira adequada de expressar a surpresa, a incredulidade e a audácia do tapa na cara. Corri para o banheiro, acendi a luz e mirei no espelho o meu perfil. Lá estavam três dos cinco dedos dela tatuados feito uma falange terrorista na minha pele. Palpitavam. O maldito indicador, o pernicioso médio e o funesto anelar. Nem a água gelada pelo inverno foi capaz de apagar o incêndio no meu rosto.


Nada aplaca o incêndio dentro de mim.

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