Coisas

E quando você queria fazer milhões de coisas, mas acaba fazendo outros milhões de coisas totalmente diferentes daquelas que havia planejado e ao invés de acabar o dia satisfeito por ter dado conta do recado percebe que está completamente frustrado por ter milhões de coisas atrasadas demandando sua atenção?

Mundinho

O dedo mindinho é, talvez, a parte mais inútil de todo o corpo humano. Pelo menos é assim que ele é tratado no mundo todo, do Japão ao Alasca, mas seguindo em direção à Ásia e não cortando caminho pelo Pacífico. Só nós, brasileiros, sabemos o estrago que pode fazer a perda de um mindinho...

Sobre você

O que faz de você, você, pra você? Eu sei o que faz de você, você, pra mim, mas queria muito conhecer o seu ponto de vista sobre você.

Adeus Tatá

Mesmo imóvel em meio às sombras do final da tarde, camuflada nos tons barreados da divisória de gesso cuidadosamente pintada, sua presença não era ignorada. Estavam todos tensos com a possibilidade de uma carreira iminente. Queriam que fosse embora, devagar e discretamente. Covardes! Esperaram apreensivos até encontrá-la deitada sobre o próprio dorso, ainda imóvel, não mais barata. Adeus Tatá.

De dentro do carro

De dentro do carro, com o dedo em riste, o homem gritava ao pedinte: "Venha, deixe-me promover a inclusão digital"!

C_ns__ nt_s

Ei, o__e e__ão a_ _o__oa__e_? O _ue a_o__e_eu _o_ a_ _o__oa__e_? A__i_ _ão _á _a_á__a_o _ue _e_i__a...

Que dureza!

Saí do Banco Bradesco em direção ao Cartório de Imóveis acompanhado de um colega. Percorríamos o primeiro terço de uma subida, muito íngreme, que separava os dois estabelecimentos. Subitamente, o celular do meu colega toca e ele, conversando com a pessoa do outro lado da linha, diz "[...]sim, estou com ele[...]estamos indo para o Cartório de Imóveis[...]não, agora não podemos[...]não podemos[...]se pararmos de andar vai ser difícil o Segatto engrenar de novo", e em seguida desliga o telefone e continua conversando como se nada tivesse acontecido.

Ops!

Na cama, Ramona era mesmo imbatível. Rapaz, melhor foda que eu já tive - e já devo ter comido bem umas 200 mulheres por aí. Ramona era linda. Seios empinados, bunda levemente arqueada, lordose perfeitamente angulada, olhos azuis, barriga reta e coxas grossas. Ramona conhecia técnicas tântricas que me faziam ir à loucura. Ficava ali, paradinha, com cara de safada, enquanto as paredes internas da vagina se contorciam. E Ramona gozava, de verdade. Não era aquele gozo tímido, complicado e misterioso. Nada disso, ela gozava expansivamente. O problema é que, depois de toda essa epopeia sexual, a vagina de Ramona peidava. Nada demais, era o ar que entrava por ali. O problema é que ela se virava para mim (terminávamos quase sempre o coito com ela de quatro) e dizia, encabulada, com um sorriso amarelo e o olhar dilacerado, em posição de desvantagem: ops!

Reencontro!

Saí do salão para fumar sem incomodar aos demais. Uma pessoa se aproxima, saca um cigarro e começa a fumar ao meu lado. Quando olho para a pessoa, pronto! Estava lá o safado! Com o mesmo sorriso de treze anos atrás, quando nos conhecemos de verdade! O rosto iluminado com um sorriso maroto como quem dissesse "estou aqui". Um bilhão de coisas passaram por minha cabeça. Mas em um segundo, só havia me restado dois sentimentos: uma vontade maluca de abraçar apertado aquele cara e o inconformismo de ter me esquecido desta vontade por tanto tempo!

A tecla caps lock não está funcionando!

Eu, tentando postar um parágrafo aqui, e nada da tecla funcionar direito. Apertava e nada. Tentei de novo e nada. Bufei e disse "a tecla Caps Lock não está funcionando". Escuto uma risada ao longe. A pessoa se aproxima, rindo, e diz "bom dia, meu amor, estou indo para o trabalho". Ainda abrindo os olhos, ganhei um beijo de "bom dia". Ops, que nonsense, sonhei com o Parágrafo Único! Mas, porquê eu teimava em usar caps lock ao invés de shift, eu não sei...

Vai que me acaba o cigarro!

Hoje, de manhã, acordei, escovei os dentes, fiz o café, peguei o jornal, e resolvi fumar um cigarro, enquanto tomava café e lia o jornal. Quando abri a caixinha, pronto, só tinha mais um... Fiquei desesperado! Fui até o armário, onde guardo meu estoque, e vi que só tinha mais uma caixinha ainda fechada. Ufa! Ainda tinha mais vinte cigarros para fumar. Mesmo assim, coloquei uma roupa, deixei o café esfriando, e saí para a rua comprar mais um pacote fechado com mais duzentos cigarros, sem ler uma notícia sequer, desligado do mundo... Vai que me acaba o cigarro!